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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pacote do governo é insuficiente, avaliam economistas

Para especialistas, medidas deixam de fora problemas
importantes.Sugestões incluem redução nos juros
e no custo dos salários.
O pacote de medidas anunciado nesta quinta-feira (11) pelo governo ajuda a combater a desaceleração da economia brasileira, mas não aborda alguns problemas enfrentados na atual conjuntura, na opinião de especialistas ouvidos pelo G1.

“As medidas ajudam mas não resolvem”, sintetiza o professor de economia da PUC-SP Antônio Correia de Lacerda. “O pacote foi modesto. O governo ainda tem gordura para queimar em termos de imposto”, concorda Cláudio Gonçalves , conselheiro do Corecon (Conselho e Ordem dos Economistas de São Paulo)
Para o professor da USP, as decisões “vão na direção correta. Diante de uma crise, o governo precisa reagir e fazer uma política anticíclica. Mas são medidas pontuais, que não recebem o apoio de outras que precisariam ser tomadas em conjunto”.

Segundo Lacerda, entre as medidas que precisariam ser adotadas para evitar o esfriamento da economia estão a queda das taxas bancárias para empréstimos, o aumento da liquidez no sistema financeiro e, principalmente, a redução na taxa básica de juros do país – que ontem foi mantida no patamar de 13,75% ao ano pelo Banco Central (BC). “Sem isso, essas medidas não resolvem”, diz ele.
Na opinião de Gonçalves, do Corecon, “podia ter sido melhor. O que foi adotado agora em nada mexe no custo da folha de pagamentos. As alíquotas relacionadas ao custo de empregar no Brasil continuam muito altas”.

Para ele, medidas que estimulem a contratação e manutenção de funcionários são fundamentais para evitar demissões em épocas de crise. “Acho que poderia ter desonerado mais no lado do emprego, da folha de pagamento, que é onde o problema vai pegar nos próximos meses. Porque se não houver medidas nessa área, vai haver desemprego no Brasil”, alerta.

Insuficiência

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Amaral, as medidas do governo, embora importantes, são insuficientes para restabelecer a confiança na economia como um todo. Isso porque atacam apenas parte do problema. Na visão de Amaral, uma redução de 0,5 ponto percentual em tributos como o PIS e a Cofins, que incidem sobre todos os segmentos produtivo (indústria, comércio e prestação de serviços, entre outros), teria mais impacto.
"Imagine que o corpo humano seja o Brasil e o governo, o médico. A virose da crise afeta cabeça, tronco e membros, mas o médico em questão adota medicamentos para combater a virose em um membro. (A estratégia) deixa de debilitar aquele membro, mas eu vejo como insuficiente. As medidas são pontuais e setorais, mas a virose é forte e ataca toda (a economia)", explica Amaral.
Segundo ele, a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que é pago pelo consumidor, vai reduzir o custo de quem já consegue empréstimo atualmente, mas não deve ajudar quem está fora do mercado de crédito. Em relação ao IPI dos automóveis, Amaral considera que o setor terá uma ajuda para "desovar os estoques" - o impacto no preço final dos veículos deve ser de redução de 3,5% a 5% nos preços.

Redução na carga

Já para o professor do Ibmec São Paulo, Carlos Fagundes, as medidas são bem-vindas por reduzirem a carga tributária. “É uma redução particularmente bem-vinda para os automóveis, que são praticamenteartigos de luxo no Brasil comparados ao preço final de outros países”, afirma, referindo à diminuição nas cotas do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para compra de carros.
Segundo ele, “não necessariamente essas medidas vão gerar uma renúncia fiscal. De um lado, se reduz a alíquota, mas por outro lado isso tende a aumentar o número de negócios. Uma coisa pode até compensar a outra”, explica.

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