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sábado, 26 de abril de 2008

ESTÁ NO O GLOBO - O caso Isabella - investigações

Polícia usará dublês de casal em reconstituição de morte de Isabella
SÃO PAULO -Com a decisão do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, indiciados pela morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, de não participar da reconstituição do crime, a polícia vai usar dublês - pessoas com o mesmo porte físico dos acusados - para reproduzir tudo o que aconteceu no dia 29 de março. A simulação, que deve começar às 9h deste domingo, na Rua Santa Leocádia, na zona norte da capital, vai reproduzir desde a entrada do carro da família no prédio até o momento em que a menina foi socorrida por uma ambulância. Uma boneca com o peso e o tamanho de Isabella será usada na encenação.
A reconstituição feita por peritos será acompanhada por advogados e pelo promotor. Quatorze pessoas foram convocadas para participar: o porteiro, testemunhas, a mulher do subsíndico, o avô paterno, Antonio Nardoni, e a tia Cristiane Nardoni. A mãe da criança, Ana Carolina Oliveira, também foi chamada.
O movimento de curiosos na rua já era grande neste sábado e, por isso, a polícia aumentou o efetivo na região. As pessoas não poderão se aproximar do local da reconstituição e a imprensa ficará na calçada em frente ao prédio London, onde Alexandre morava com a Anna Carolina e dois filhos do casal. Isabella era filha de um relacionamento anterior de Alexandre.
O delegado Calixto Calil Filho, responsável pelo caso, afirma que a ausência do casal não vai afetar o procedimento. De acordo com o delegado, sem o casal, a reconstituição será feita somente com base nos laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal. A idéia inicial era que o casal interpretasse também a sua versão dos fatos. O casal nega qualquer envolvimento na morte da criança. Leia ainda: Presidente Lula se diz preocupado com pirotecnia em torno do caso
Interrogatório
Segundo a polícia, em depoimento na semana passada, o casal foi surpreendido com detalhes do laudo. Alexandre não soube explicar vômito encontrado em sua camiseta. Perícia diz que vômito teria sido provocado pela asfixia da menina. Anna Carolina também negou que marca de sangue encontrada sobre seu sapato seja da menina.
A revelação desses novos dados durante o interrogatório causou polêmica neste sábado. Para o advogado de defesa Rogério Neves de Souza, o casal não poderia ser questionado sobre informações desconhecidas da defesa e da "própria autoridade policial" na época do interrogatório. Segundo Souza, os policiais não tinham em mãos, durante o interrogatório, os resultados finais do laudo pericial, que poderia servir como base para as perguntas.
Neste sábado, novos detalhes do interrogatório foram divulgados no Jornal Hoje. Segundo a polícia, resíduos da tela de proteção por onde Isabella foi jogada foram encontrados na camiseta de Nardoni. Em seu primeiro depoimento, Alexandre disse que se aproximou da janela com o filho Pietro no colo. Mas a perícia revelou marcas de resíduos próximas à gola e na altura dos ombros da camiseta. De acordo com os peritos, seria impossível haver marcas neste local se ele houvesse se aproximado da tela com uma criança no colo.
" Alexandre não soube explicar vômito encontrado em sua camiseta. Perícia diz que vômito teria sido provocado pela asfixia da menina. "
O pai de Alexandre Nardoni, o advogado Antônio Nardoni, ainda afirmou que já leu boa parte dos laudos da perícia sobre o crime e afirmou que há vários indícios que favorecem o casal. De acordo com ele, os laudos não comprovam que o sangue encontrado no carro da família era mesmo de Isabela, como afirma a polícia.
Ausência
Foi Nardoni quem informou, na noite desta sexta-feira, que seu filho e sua nora não estarão na reconstituição neste domingo.
- Foi uma decisão (a de não participar) técnica da defesa. Avaliaram que seria melhor para eles não ir. Acho que é um fato normal. Por lei, nem eles nem ninguém é obrigado a comparecer - afirmou Nardoni na noite de sexta-feira, ao sair do escritório de Marco Polo Levorim, advogado da família. O pai de Alexandre afirmou que a polícia já havia sido informada da decisão.
- Acredito que essa decisão não os prejudica. Sempre se colocaram à disposição da polícia, estão em lugar conhecido, e não têm criado nenhuma dificuldade para as investigações - disse Nardoni. " Eles têm a versão deles. É uma opção que a lei dá, e como pai também acho que não devem ir. Seria produzir provas contra eles, disse Nardoni "
Segundo ele, se o casal fosse à reconstituição, ajudaria a polícia a provar a tese de que o pai e a madrasta mataram a menina, o que eles negam.
- Eles têm a versão deles. É uma opção que a lei dá, e como pai também acho que não devem ir. Seria produzir provas contra eles. Não acho correto que eles sejam levados e expostos a uma situação dessa - completou.
Reconstituição
A movimentação de pessoas pela Rua Santa Leocádia será controlada pela polícia a partir de 23h30 deste sábado. Os curiosos ficarão distantes do local do crime. Moradores da rua já foram cadastrados e apenas eles e pessoas autorizadas poderão passar pelo bloqueio policial. O tráfego aéreo na região também será fechado durante a reconstituição, num raio de 1,5 quilômetro ao redor do edifício onde a família morava. O juiz Maurício Fossen concordou com a argumentação da polícia, que pediu a interdição do espaço aéreo na Justiça, de que o silêncio será fundamental para a encenação do que aconteceu no prédio no dia 29 de março.
A Aeronáutica havia informado que só poderia fechar o espaço aéreo mediante autorização judicial, já que a interdição por questão de segurança pública para reconstituição de crime não está incluída entre as 28 possibilidades previstas pelo regulamento. Com a decisão favorável do juiz, a passagem de aeronaves, como helicópteros da imprensa, pelo local ficará proibida durante 14 horas.
Com a medida, a polícia espera comprovar se testemunhas poderiam ter ouvido realmente discussões dentro do apartamento do casal ou mesmo gritos de socorro de uma criança. Todas as testemunhas do caso já foram ouvidas e o prazo para a polícia terminar o inquérito sobre o crime é terça-feira.
A Associação de Advogados Criminalistas diz que a reconstituição pode ser anulada se a defesa entrar na Justiça, já que o crime aconteceu durante a noite e a simulação acontece durante o dia, o que provocar discrepâncias.

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